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Conexão Nipônica: artista e correspondente direto de Tóquio!

Conexão Nipônica: artista e correspondente direto de Tóquio!

    Tudo sobre como funciona o cenário da arte no Japão e dicas imperdíveis

Os nove meses que a Sofia Saleme (@sofiasaleme) vem vivendo no Japão renderiam um guia inteiro sobre o cenário da arte em terras nipônicas. Ela é artista, arquiteta e minha irmã e foi fazer uma residência artística em Tóquio com direito à exposição e palestra, está aprendendo japonês, transformando tudo o que vivencia em material para sua pesquisa e produção, e visitando espaços de arte dia sim, dia também. Agora, ela se junta ao BIGORNA para trazer as melhores dicas do cenário da arte japonês e aproximar o universo oriental do nosso!

Chiharu Shiota por Sofia Saleme

“ELES VALORIZAM MUITO A CULTURA TRADICIONAL”

Por fora, os museus já são um espetáculo à parte: eles dão um banho de arquitetura e são assinados por nomes como Kengo Kuma, que projetou os belíssimos Suntory Museum e o Nezu Museum – esse último tem um jardim típico com o pensamento do Zen Budismo. Apesar de hiper contemporâneos, essas instituições são dedicadas à arte tradicional com pinturas em papeis japoneses, leques e quimonos, instrumentos musicais e roupas de apresentações como o Kabuki e Nô, e caligrafia. “Eles valorizam muito a cultura tradicional, mas quem está produzindo arte contemporânea não usa essas técnicas ancestrais. Por isso, acham incrível que eu, jovem e estrangeira, me interesse tanto por elas!”

 

Mais museus arrasa-quarteirão:

National Art Center Tokyo (Roppongi): um dos museus mais bonitos e interessantes da cidade, tem sua fachada irregular protegida por vidros esverdeados. “Me senti dentro de uma espaçonave – tem dois restaurantes elevados do chão por pilares enormes de concreto”, conta. Foi lá onde ela acaba de ver a retrospectiva do francês Christian Boltanski (@boltanskichristian)

 

Mori Art Museum (Roppongi): depois de passar embaixo da aranha gigante da Louise Bourgeois, suba para o 54º andar onde está este museu. Falando em aranhas, foi lá que a Sofia viu a exposição de Chiharu Shiota (@chiharushiota), artista que já virou sensação internacional e faz teias gigantes e avermelhadas (veja o desenho acima)

 

21_21 Design Sight (Roppongi): foi projetado pelo arquiteto Tadao Ando (@tadao_ando_architecture), o mesmo da ilha de Naoshima, inteiramente dedicada à arte contemporânea

Vista da exposição da Sofia no 3331 Arts Chiyoda

“OS MUSEUS ESTÃO SEMPRE CHEIOS!”

Não é fácil conseguir informações em inglês sobre a programação cultural em Tóquio. A Sofia vive acionando o aplicativo Tokyo Art Beat ou coloca no Google Translator algumas informações que lê nos flyers e pôsteres espalhados pela cidade. Já para os japoneses, a divulgação é grande e o interesse também: os museus estão sempre lotados de pessoas mais velhas com seus monóculos (eles não pagam entrada) ou jovens que formam fila espontaneamente para seguir um percurso organizado dentro dos espaços expositivos (para o público geral, as entradas podem custar entre 8 e 20 dólares). Já a Sofia não segue o caminho auto-imposto pelo público e sai pela exposição fazendo seus desenhos (veja alguns nesta matéria!). Ela conta: “Mesmo que estejam lotados, os museus têm um silêncio sagrado”.

 

Só quem é insider sabe:

Pola Museum Annex (Ginza): fica no terceiro andar de uma loja de maquiagens. A sede principal do museu em fica em Hakone, a uma hora e meia de Tokyo

 

Spiral (Omotesando): mesclam obras de artistas consagrados japoneses, como Yayoi Kusama e Takashi Murakami, com trabalhos de jovens artistas contemporâneos. “Do ladinho tem o Design Festa Gallery, um espaço cheio de galerias e com um restaurante inteiro grafitado, o Sakura-tei”

 

Tokyo University of the Arts (Taito): exibe obras dos alunos dos cursos de artes, mas não é para iniciantes!

 

Watari Museum of Contemporary Art (Shibuya): museu menos conhecido na região descolada de Harajuku, onde jovens exibem looks modernos e coloridos, e onde ela conheceu o trabalho de Tadanobu Asano (@tadanobu_asano), ator de grandes filmes japoneses e cartunista. “Tem uma livraria de arte incrível!”

National Art Center Tolyo por Sofia Saleme

“AS GALERIAS SÃO UMA EXPERIÊNCIA ANTROPOLÓGICA”

O costume de andar na rua e dar de cara com uma galeria chamativa pode funcionar em São Paulo, Lisboa ou Nova York, mas não é bem o que se passa em Tóquio. Lá, as coisas mais interessantes estão para cima ou para baixo. Ginza, por exemplo, é um bairro chique, muito turístico e cheio de galerias, mas todas elas ficam nos andares de cima. Um achado do bairro é o Okuno Building, um “assunto à parte”, segundo minha irmã: o prédio é um dos únicos da zona que sobreviveu aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e foi ocupado por galerias fixas ou artistas que alugam suas salas temporariamente para exporem seus trabalhos. “São exposições experimentais, tem bastante fotografia e muitas são multicoloridas e fazem referência ao mangá, um estilo que eles chamam de Kawaii. Não são as melhores exposições que vi na vida, mas não pode deixar de visitar!”.

 

Mais experiências únicas:

Tokyo Opera City Art Gallery: está num dos prédios mais altos do mundo (tem 234 metros de altura!) fica dentro de uma das muitas salas de concerto de musica clássica que estão espalhados pela cidade. “Na galeria vi exposições lindas como a do super importante artista japonês Tomoo Gokita e do americano Tom Sachs. Ele estudou metodicamente a cerimonia do chá, que é uma das fontes do meu trabalho e recriou todos os elementos desta cerimônia usando sucata”

 

Scai the Bathhouse (Taito): “O bairro é um museu a céu aberto: vários templos pequenos espalhados pela cidade que corriam risco com os terremotos foram levados para lá”. Esta galeria fica numa antiga casa de banho, onde viu mostras de artistas como o Tadanori Yokoo, um dos mais conhecidos designers gráficos e pintores do Japão

Mt. Fuji World Heritage Centre por Sofia Saleme

“A PROGRAMAÇÃO CULTURAL É BASEADA NAS ESTAÇÕES DO ANO”

É por isso que, agora no verão, a Sofia vive em bairros como Roppongi, que gira em torno do Tokyo Midtown e Roppongi Hills, complexos de apartamentos, lojas, hoteis, restaurantes e um jardim que vive recebendo eventos pop-up como uma instalação de pedras e água para as pessoas se refrescarem ou a exibição ao ar livre do filme Bansky: Exit Through the Gift Shop. É nessa região onde acontece o Roppongi Art Night, que em maio entrou na sua 10a edição: um final de semana de programação sem parar com instalações, performances, DJs, além dos museus e galerias nas redondezas que ficam abertos. Nesse ano, alguns destaques foram o RedBall Project (@redballproject), do artista americano Kurt Perschke, em que uma bola vermelha e gigante ficava passeando pelo bairro, e o Escalator Museum, uma exposição entre as escadas rolantes: é só ficar paradinho que as obras vão passando por você.

 

Mais oportunidades para agarrar:

Museum of Contemporary Art Tokyo: tem uma estrutura de aço em forma de V e recebe todo mês de julho a maior feira de livros de arte da Ásia, a Tokyo Art Book Fair, formada tanto por grandes editoras internacionais como artistas e editoras independentes

 

Espace Louis Vuitton Tokyo (Omotesando), Hermès (Ginza) e Shiseido (Ginza): mesmo que você não queira investir seus Yens numa bolsa de marca, é necessário acompanhar a programação das lojas chiques que abrigam jóias em formas de exposição. No espaço da Louis Vuitton, Sofia viu uma instalação do venezuelano Jesús Rafael Soto no começo do ano e, dois videos do Christian Boltanski, ainda em cartaz. Na Hermès, conheceu a instalação da japonesa Mari Minato

 

Tsutaya Books: falando em comprar, esta rede de livrarias tem uma oferta enorme de livros e revistas de arte, além de espaços expositivos. Fique despreocupado que você não será levado à falência: quase nada está escrito em inglês. Mesmo assim, vale à pena passar pelas filiais em Ginza Six ou Daikanyama, esta última está bem pertinho do famoso cruzamento de Shibuya, só que num cenário mais local

Roppongi por Sofia Saleme

“DÁ PARA FALAMOS DOS DE FORA DA CIDADE TAMBÉM?”

Dá canseira só de ler, mas ainda tem toda a programação nos arredores de Tóquio, que a Sofia vive fazendo em bate-volta com Shinkansen – um trem muuuito rápido que corre contra o tempo. Na viagem que fizemos pelo Japão em 2016, visitamos museus como o Hakone Open Air Museum,  21st Century Museum of Contemporary Art, em Kanasawa, as ilhas de Naoshima e Teshima, e um mês de estadia não foi suficiente. Por isso, ela insistiu: vale pegar o trem passar o dia fora de Tóquio (só não esqueça de levar uma marmita de Bentô com você!).

 

Melhores bate-volta relâmpagos: 

Yokohama Museum of Art; Fuchu Art Museum; Yokosuka Museum of Art; Mt. Fuji World Heritage Centre; Art Tower Mito:

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