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Como as instituições de arte podem ajudar a enfrentar a crise climática?

Como as instituições de arte podem ajudar a enfrentar a crise climática?

 

No cenário artístico, algumas instituições fazem uma autoanálise ecológica enquanto outras precisam de análise!

A Serpentine Galleries é a primeira instituição de arte contemporânea a ter uma curadora dedicada à ecologia, a Lucia Pietroiusti. Junto com o diretor Hans Ulrich Obrist (imagina um curador muito, mas muito grande – é o ele), ela está montando um projeto gigantesco chamado Back to Earth, que inclui uma exposição com abertura em junho, no espaço londrino que fica dentro do Hyde Park. A ideia é aumentar o espectro do que se entende por arte, e incluir ecologia nisso. Se for assim, os museus passam a promover uma programação sobre as mudanças climáticas que nos ajudam a pensar e entender esses problemas. É mais um grupo de instituições pensando criticamente a crise climática e nosso papel nisso, e não apenas compartilhando mais e mais informações alarmantes. O Hans Ulrich está levando essa ideia bem à sério e disse que aprendeu com os artistas a parar de comer carne e diminuir o número de viagens que faz de avião e também colocar na balança os custos ecológicos que enviar obras de arte para outras instituições. Ele acredita que uma instituição cultural deve se espelhar nos artistas que estão propondo novas maneiras de viver hoje, e fazer seu papel ao tornar isso público.

AUTO-ANÁLISE

 

Mas, o mundo da arte não é só crítico da crise climática. Ele também contribui para que ela aconteça. Imagine só a quantidade de emissão de carbono que é produzida numa feira de arte como a Frieze e a Art Basel ou numa Bienal de Veneza? Cada vez que uma feira é feita, os estandes são literalmente jogados fora e não reaproveitados e usados numa próxima feira, apesar da estrutura ser sempre muito parecida. Isso sem falar no número de pessoas e serviços que são importados para uma ilha como Veneza e todo o impacto ambiental que esta movimentação pode gerar.

PRECISA DE ANÁLISE

 

Outro jeito da arte ajudar a enfrentar a crise climática é lutando contra ricas empresas que financiam a arte às custas de atividades e serviços que destroem o meio-ambiente. Rebekah Mercer, por exemplo, é uma mega-doadora e parte do conselho do Museu de História Natural de Nova York, mas – que contraditório! – ela também é grande apoiadora e financiadora do movimento “climate change denial”, ou negação da crise climática. Faz dois anos que o grupo Revolting Lesbians vem fazendo uma campanha para tira-la do conselho do museu. Mas o problema é que mesmo os museus preferem fingir não estar percebendo para não perder financiadores como ela.

E É CLARO QUE OS ARTISTAS TRAZEM BOAS ABORDAGENS DE CONSICENTIZAÇÃO

 

Olafur Eliasson é, provavelmente, o artista com maior visibilidade do mundo quanto o assunto é a crise climática, já que o processo do trabalho e seu impacto vão muito além dos limites do que podemos chamar de campo da arte. Para começar, ele trabalha com engenheiros, ambientalistas e cientistas para desenvolver obras como Little Sun. E o impacto dessa obra é social, real e efetivo: mas de 500 mil pessoas que vivem em locais sem acesso a energia passaram a ter luz. Explico tudo sobre essa e outras obras do Olafur Eliasson no vídeo abaixo.

 

Outros trabalhos têm abordagens mais poéticas que ajudam na sensibilização e conscientização. É o caso Pavilhão da Lituânia é talvez um dos mais originais na sua abordagem e ganhou Leão de Ouro durante a Bienal de Veneza, em 2019 (sério, Lituânia?!). Foi uma performance plástica e política, original e atual, crítica e nada pedante. Três artistas mulheres levaram muita areia para o pavilhão e fizeram do galpão fechado uma praia perfeita – com todos os apetrechos praieiros que você puder imaginar – em que perfomers e o público que se inscrevia, passava o dia todo (mais especificamente as quartas e sábados) estirado na areia e tomando “banho de sol”. Ao longo de oito horas, os performers cantavam ópera, que falava de maneira aparentemente descompromissada sobre costumes alterados por conta das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que mostrava a indiferença daquelas pessoas relaxadas pelo real problema que enfrentamos. Era uma crítica contundente, mas nada agressiva, que pegou fundo em muita gente. Não tenho dúvidas que isso pode mudar comportamentos!

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1 Comment
  • Silvia Erdos

    Março 28, 2020at4:41 pm Responder

    Muito boa iniciativa !!!

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